O Almofariz de Deméter, o livro que tempera a gastronomia

Para ler separadamente ou na sequência, O Almofariz de Deméter, do jornalista e escritor José Guilherme Rodrigues Ferreira, traz 48 saborosas crônicas que revelam da obsessão de Napoleão Bonaparte por café à construção da obra de Andy Warhol em cima da comida

Por Françoise Terzian

O paladar, função sensorial que nos encanta ou afugenta dos mais diferentes alimentos, atravessa diferentes épocas, geografias e momentos marcantes para demonstrar, ao longo de 48 crônicas e ensaios, seu protagonismo na História. Em 332 saborosas páginas, o romance O Almofariz de Deméter: Breve Geografia de Vinhos, Afeições, Alimentos e Apetites (Editora Tapica, R$ 69,90, e pré-venda pela Amazon), do jornalista e escritor José Guilherme Rodrigues Ferreira, é um presente para os leitores com apetite pelo saber. O saber por trás dos fatos e das lendas que tornam criações sofisticadas ou bebidas populares ainda mais tentadoras.

Como bem explica o escritor Roberto Taddei na apresentação da obra, O Almofariz de Deméter é um livro precioso, com registro mais visceral. “É o paladar, o estômago e o intestino quem decidem os rumos desse romance constituído de fragmentos gastronômicos.”

Radicado em São José dos Campos (SP), Ferreira já está habituado a brindar o leitor com páginas para devorar. Sua primeira obra Vinhos no Mar Azul – viagens enogastronômicas (Editora Terceiro Nome) foi premiada em 2009 com o Gourmand World Cookbook Awards, instituído na França.

O jornalista e escritor José Guilherme Rodrigues Ferreira – fotos divulgação

Em O Almofariz de Deméter, Ferreira trata justamente da tarefa humana de comer. Motivo que o fez criar verdadeiras epifanias enogastronômicas, em narrativas ao mesmo tempo informativas e sofisticadas. Uma viagem que pode nos levar do pato prensado e numerado do Tour D’Argent de Paris à içá com ora-pro-nóbis de Silveiras, no Vale do Paraíba. Das listas de ingredientes especiais do grego Archestratus, como as enguias de Messina ou o mel da Ática, às receitas que o poeta Apollinaire servia a Picasso.

Napoleão Bonaparte aparece com riqueza de detalhes na obra de Ferreira. O imperador dos franceses adorava pratos simples com batatas, lentilhas e feijões brancos, mas sempre os ingeria com o pé atrás, antevendo uma provável indigestão. A obsessão de Napoleão por café não foi deixada de lado. “Apreciava muito era uma xícara de café, que tinha de aparecer à sua frente assim que o desejo surgisse, num estalar de dedos”, escreve.

A obsessão de Napoleão por café é motivo de brincadeiras até hoje – reprodução

O escritor observa ainda que “a obra de Andy Warhol foi construída com comida, naco por naco”. Das sopas Campbell ao hambúrguer até chegar na Coca-Cola. “Para Warhol, a Coca-Cola era o sinônimo de igualdade nos Estados Unidos: você pode estar assistindo à TV e vê uma Coca-Cola, e sabe que o presidente toma Coca, Liz Taylor toma Coca, e apenas pensa, você pode tomar uma Coca também. Warhol dizia: a Coke is a Coke como a rose is a rose is a rose is a rose, de Gertrude Stein.”

Garrafas verdes da Coca-Cola. Pop-art by Warhol – reprodução

O Almofariz de Deméter é uma obra para ler, reler e se deliciar sempre.

LANÇAMENTO
O almofariz de Deméter
Breve geografia de vinhos, afeições, alimentos e apetites
Editora: Tapioca (2020)
Autor: José Guilherme Rodrigues Ferreira
(em pré-venda na Amazon)


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