Uma garrafa de vinho por semana é tão ruim quanto 10 cigarros, aponta estudo

Sabe aquela taça de vinho que você toma toda noite? Então… A crença de que ela faz bem para o coração pode ir por água abaixo no que depender de um novo estudo conduzido pela revista BMC Public Health, especializada em epidemiologia e saúde pública, e publicado pela revista Fortune. Com mais de uma dezena de páginas e muitos detalhes, o estudo traz um alerta: beber uma garrafa de vinho por semana pode ser tão ruim quanto fumar 10 cigarros.

No caso das mulheres, a BMC aponta um risco a mais. Há possibilidade de aumento, mesmo que pequeno, da incidência de câncer de mama.

Vale lembrar que o problema não é exclusivo do vinho, mas das bebidas alcoólicas de forma geral. Para exemplificar, a pesquisa concentrou-se no risco absoluto de beber uma garrafa de vinho por semana. Ou seja, na probabilidade de uma pessoa desenvolver uma doença ao longo da vida por culpa do álcool.

Para chegar ao resultado, a revista estimou o aumento do risco absoluto de câncer (número de casos por 1000) atribuído a níveis moderados de álcool e os comparou com o risco absoluto de câncer atribuído aos baixos níveis de tabagismo, criando assim um “equivalente de cigarro”. Assim, buscou-se avaliar o risco de desenvolvimento de câncer na população que bebe. Mesmo que moderadamente.

Descobriu-se então que o consumo de uma garrafa de vinho por semana está associada ao aumento do risco absoluto de câncer ao longo da vida para não-fumantes de 1,0% (homens) e 1,4% (mulheres). Isso significa que se 1 mil homens e 1 mil mulheres bebessem uma garrafa de vinho por semana, cerca de 10 homens desenvolveriam cânceres do trato gastrointestinal (orofaringe, esofágico, colorretal, fígado) e 14 mulheres desenvolveriam câncer de mama.

O consumo de bebidas alcoólicas como vinho, mesmo que moderadamente, pode trazer prejuízos à saúde

O aumento do risco de câncer para uma garrafa de vinho por semana é igual a cinco cigarros por semana (para homens) ou 10 cigarros por semana (para mulheres).

À medida que o consumo de álcool aumenta, os riscos também crescem. Beber três garrafas de vinho por semana (cerca de meia garrafa por dia) está associado ao risco absoluto de câncer em toda a vida a 1,9% para homens e 3,6% para mulheres. Ou seja: cerca de 19 homens e 36 mulheres podem desenvolver um câncer relacionado ao álcool como resultado.

Essas descobertas podem ajudar a comunicar que níveis moderados de consumo são um risco importante para a saúde pública das mulheres.

OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS

Endocrinologista Prof. Dr. Filippo Pedrinola

“A medicina é uma ciência de verdades temporárias e no caso dos riscos relacionados ao consumo do vinho essa regra também vale. Uma hora, alguns artigos sugerem benefícios. Em outra, sugerem malefícios. No que acreditar? Prefiro acreditar que o maior estudo populacional relacionado a tipos de dieta é o “ Seven Countries Study” , que começou após a Segunda Guerra e segue até hoje. Esse estudo mostra que a Dieta Mediterrânea é considerada a mais saudável já estudada. Os povos que habitam os países banhados pelo “Mare Nostrum” têm menor incidência de vários tipos de cânceres e doenças crônicas como diabetes, infarto e derrame. Essa dieta inclui consumo moderado de vinho para ambos os sexos. E agora?”

Daniel Sales, médico radiologista do Alta Excelência Diagnóstica

“O álcool é uma droga lícita que danifica diversos órgãos – em especial, o cérebro e fígado. Quando acompanhado de dependência (alcoolismo), pode acarretar em sérias consequências sociais e familiares. Portanto, qualquer gota de álcool já é tóxica e prejudicial.”

“A Organização Mundial da Saúde afirma que não há nível seguro para o consumo de álcool. O que verificamos é que, a partir de uma dose diária, estes riscos são maximizados. “

“A recomendação é que não se consuma álcool. Se o fizer, não ultrapasse a dose diária (10 a 12 gramas de álcool). A saber: 330 ml de cerveja, 100 ml de vinho e 30 ml de destilados. Isto vale tanto para homens quanto para mulheres. Sabemos, no entanto, que mulheres são mais suscetíveis ao efeitos deletérios do álcool e a sua consequente dependência. Isto se dá por conta da menor proporção de líquidos no organismo em relação ao homem (menor diluição da substância), bem como ao seu menor peso (maior proporção da dose / kg). “

Para a sua saúde, o vinho é prejudicial. No entanto, o ser humano é um ser sociável e muitos de seus relacionamentos são regados por vinho. Nestas circunstâncias, a palavra-chave é o equilíbrio. Programe-se, e peça ajuda a seus amigos, para não ultrapassar de uma taça. A questão é que o álcool altera sua capacidade de tomar decisões e a perda do controle da quantidade ingerida pode ser inevitável. “

Cristiane Sales, psicóloga com especialização em dependência química

“O álcool é uma droga lícita, mas é droga. Causa danos no cérebro e no organismo desde as mínimas doses. Portanto, não existe consumo x
de álcool isento de risco (nem de cigarro). “

“Existe, sim, diferentes níveis de risco, que vão variar de acordo com a frequência do consumo, dosagem, concentração de álcool, vulnerabilidades biológica e psicológica de cada organismo.”

“Uma taça de vinho ao dia é considerado consumo leve, porém implica em riscos pra saúde e de forma alguma deve ser recomendado, pois implica no aumento do surgimento de dezenas de doenças, tais como depressão, ansiedade e até dependência. “

Quem desenvolve o hábito de beber uma taça de vinho ao dia se coloca em risco. É como furar o sinal amarelo de trânsito. Algumas pessoas vão aumentando gradativamente este consumo e ao longo de cerca de 5 anos se tornam dependentes de álcool. Por ter uma trajetória lenta, quando a pessoa se percebe já está presa. “

“Uma taça de vinho faz bem ao coração? Do mesmo jeito que existe o lobby da indústria de armas e de tabaco, existe do álcool. As empresas de bebidas alcoólicas querem vender. Existe uma substância no vinho que é protetora do coração (chama-se Resveratrol). Essa substância não vem do álcool, mas da casca da uva. Portanto quem quiser se beneficiar desta substância basta comer uva, mastigando bem a casca ou tomar suco de uva.”

RISCOS DO TABACO

O consumo de tabaco é responsável por 7 milhões de mortes por ano em todo mundo, com uma estimativa de que dois terços dos fumantes devem morrer por conta do hábito. O fumo é responsável por 22% das mortes por câncer no mundo.

Impostos pesados, proibições de publicidade, embalagens simples contendo avisos explícitos de saúde e a proibição de fumar em lugares públicos levaram a uma diminuição na prevalência do tabagismo de 46% (1974) para 19% (2014).

RISCOS DO ÁLCOOL

Há evidências robustas de que mesmo baixos níveis de ingestão de álcool não proporcionam quaisquer benefícios protetores à saúde. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), o World Cancer Research Fund e o Instituto Americano para Pesquisa do Câncer afirmam que nenhum nível de consumo de álcool é completamente seguro.

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