Oscar Farinetti: de fundador do Eataly a patrono das artes

O italiano Oscar Farinetti é um empreendedor incansável. Nascido em Novello, uma pequena cidade perto de Alba, na região dos vinhos chamada Langhe, no Piemonte, ele é a grande mente por trás do Eataly. Em 2007, ele escolheu a cidade de Turim para fundar esse complexo gastronômico italiano, que também pode ser definido como a “Disneyworld dos foodies”. Desde então, conquistou fãs pelo globo e abriu unidades em vários cantos do mundo – de Dubai a São Paulo.

Embora bem-sucedido, Oscar Farinetti sentia que precisava retribuir com a Itália, o país do qual sente orgulho em ter nascido. Foi assim que, via Eataly, ele resolveu financiar a restauração de A Última Ceia (L´Ultima Cena), de Leonardo da Vinci, o afresco mais famoso do mundo, pintado no final do século 15. “Dizem que a Itália detém 70% do patrimônio artístico do mundo. Quero, com a restauração de A Última Ceia, doar 500 anos de vida à obra e permitir que um número maior de visitantes a apreciem”, conta Oscar Farinetti.

A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, ganhará nova restauração com ajuda do Eataly

O mural de 460 cm x 880 cm encontra-se nas paredes do outrora refeitório dos monges do monastério da Igreja de Santa Maria Delle Grazie, em Milão. Por ter sido pintado com pigmentos diretamente sobre o cimento, ele é alvo frequente de fungos. “A expectativa é que com os melhores especialistas do mundo e as novas tecnologias, quem sabe, seu restauro dure para sempre”, conta Carlos Magalhães, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (SP).

A restauração, que acaba de ter início, durará três anos e custará 2 milhões de euros – metade desse valor será bancado pelo Eataly.

Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista de Oscar Farinetti ao PRAZERICES:

Você se lembra da primeira vez que viu A Última Ceia?

A primeira vez que eu vi a obra foi com meu pai, que me levou para Milão com o propósito de ver esse trabalho do artista Leonardo da Vinci. Eu era uma criança e eu ainda hoje tenho uma bela recordação daquele dia.

Quando esse projeto de patrocínio do restauro do afresco chegou a você e qual foi sua primeira reação?

Estou honrado e orgulhoso de ser capaz de contribuir para prolongar a vida de uma das obras-primas de arte do mundo.Foi por isso que eu aceitei sem pensar duas vezes. Na Itália, temos um patrimônio artístico maravilhoso que o mundo inteiro deve ser capaz de admirar. Para que isso aconteça, no entanto, é essencial investir para manter “saudáveis” nossas obras de arte.

Como maior patrocinador do projeto, quanto o Eataly investirá no restauro do afresco?

O projeto é de mais de 2 milhões de euros. Metade é financiada pelo Ministério e metade pelo Eataly.

Você falou durante a apresentação que tem o papel de perpetuar o patrimônio artístico italiano. Além disso, o que espera como pessoa e como empresário desse patrocínio? Que benefícios ele trará para o Oscar e para o Eataly?

Essa intervenção em favor do Cenáculo é um importante compromisso. É um direito de todos poder ver A Última Ceia e esse é o objetivo do projeto que apoiamos. Além disso, sinto-me honrado em pensar que, se nos próximos anos mais visitantes verão a obra, será graças ao Eataly. Na esperança de que o Eataly também poderá atuar como intermediário para a venda de bilhetes ampliando ainda mais a gama de pessoas que têm acesso à oportunidade da visita: uma experiência muito emocionante.

Você é católico, suponho. Frequenta a ordem ligada à Santa Maria delle Grazie?

A religião é fascinante. Uma obra como A Última Ceia no refeitório de Santa Maria delle Grazie é um símbolo da religião católica, mas está intimamente ligada ao mundo judaico. A reunião na Última Ceia foi a celebração da Páscoa. O menu era típico da tradição judaica: ervas amargas, pão ázimo enriquecido com charoset (um molho para barrar feito com frutas secas semelhante a uma compota muito grossa), cordeiro assado e vinho. São todos estes aspectos os que mais me fascinam. E então a figura de Jesus na obra pintada por Leonardo é tão fascinante para chegar a centenas de perguntas. Ter algumas perguntas que aparecem continuamente na cabeça é um sentimento inestimável que eu amo! As perguntas estimulam a imaginação, certamente mais que as respostas!

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