Ferrero Rocher na caixa e Kinder Ovo da Argentina

A Páscoa 2022 da italiana Ferrero no Brasil trouxe tradição, novidades na linha Ferrero Rocher e também uma polêmica envolvendo Kinder Ovo.

Italiana de Alba, no Piemonte, a Ferrero é uma marca que caiu no gosto do brasileiro há décadas. Com bombons como Ferrero Rocher e Rafaello, a fabricante de chocolates e guloseimas (caso do creme de chocolate com avelã Nutella e das pastilhas Tic-Tac) ganhou uma fatia do carrinho de compras dos brasileiros no chamado consumo por impulso do dia a dia. Em períodos de Páscoa, data de maior volume de vendas da indústria de chocolates, a representatividade da marca segue pelo mesmo caminho.

Com uma presença cada vez mais forte nas parreiras dos supermercados, a Ferrero tornou-se, ano passado, a terceira maior vendedora de ovos de Páscoa adultos do Brasil. E não só. A cada 10 ovos infantis comercializados no Brasil em 2021, 3,7 vieram da fabricante italiana. Seu nome não é conhecido só das crianças, mas também de seus pais e avós – Kinder Ovo, criado nos anos 60, na Itália.

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Executivos da Ferrero no Brasil. À esquerda, Fernando Careli – foto Françoise Terzian

Comandada pela terceira geração da família fundadora da companhia, a Ferrero escalou da oitava para a quinta posiçãona venda do Ovo Ferrero Rocher em 2021. Para continuar na escalada ascendente na Páscoa 2022, a subsidiária brasileira continuou apostando no tradicional, mas foi além.

Ela apresentou ao consumidor o Ovo Ferrero Rocher na caixa – à venda somente aqui no Brasil (na foto abaixo) e na Austrália. Em uma embalagem vistosa e com destaque para o dourado, ela chegou ao varejo com um preço estrategicamente atraente – R$ 49,90 a unidade.

Ferrero Rocher
Ovo Ferrero Rocher na caixa, inovação da fabricante no Brasil – foto Françoise Terzian

Em tempos de avanço dos chocolates com maior intensidade de cacau e demanda crescente por parte dos consumidores, a Ferrero também lançou, na Páscoa 2022, o Ovo Ferrero Rocher Dark, com cerca de 50% de cacau.

POLÊMICA EM TORNO DO KINDER OVO

Previamente ao período da Páscoa, a Ferrero identificou um problema na fábrica de Arlon, na Bélgica. Amostras de Salmonella, um gênero de bactérias, foram descobertas em um tanque da área de produção de Kinder Ovo, o que levou à interdição da fábrica. “Estamos tratando essa questão com toda transparência. O caso isolado servirá como aprendizado”, explicou Fernando Careli, diretor de assuntos institucionais e sustentabilidade da Ferrero para a América do Sul, durante coletiva de imprensa em 12 de abril, em São Paulo. Ele complementou que o Kinder Ovo comercializado no Brasil vem da Argentina e não da Bélgica.

O problema que levou à intoxicação de Salmonella por crianças que consumiram Kinder Ovo na Bélgica ficou concentrado no país europeu. Mesmo assim, não demorou muito para a história correr o mundo e gerar ruídos nas redes sociais, levantando dúvidas nos consumidores brasileiros.

Na noite de 14 de abril, três dias antes da Páscoa, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou a Resolução-RE nº 1.233, de 14 de abril de 2022, a qual proíbe a comercialização, distribuição, importação e uso, de um conjunto de lotes. A medida, explica a Anvisa, foi baseada no alerta internacional de recolhimento divulgado pela Rede Internacional de Autoridades de Segurança Alimentar (Infosan), comunicando a contaminação por Salmonella Typhimurium em chocolates da marca Kinder, fabricados pela empresa Ferrero na Bélgica e distribuídos para diferentes países.

Sobre essa questão, a Ferrero reafirmou que a referência é exclusiva aos produtos Kinder fabricados em Arlon, na Bélgica, e que não são distribuídos pela Ferrero do Brasil. “A marca Kinder informa que seus chocolates e ovos de Páscoa vendidos pela Ferrero do Brasil no País são seguros para consumo”, informou em nota à imprensa.