Visitamos a Starbucks de Milão. De tirar o fôlego

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Starbucks de Milão ocupa o antigo prédio dos Correios

Visitamos a Starbucks de Milão. De tirar o fôlego

Por Erica Rabecchi*

A Primeira Starbucks da Itália é… italiana. Eram 9h de sexta-feira e, assim que desci do Tram – tradicional meio de transporte milanês que é uma mistura de trem com ônibus -, na estação Duomo (peguei a linha 16 – San Sirio, pois saí de Bergamo/Cadore), o aroma gostoso de café invadiu a rua e me passou imediatamente a sensação de estar ao lado de mais uma das muitas cafeterias espalhadas em cada pontinho da Itália.

Mas não, não era. Um prédio lindamente preservado – anteriormente do Correio Italiano (Poste) e da Bolsa de Valores -, te convida a entrar e descobrir o que tem lá dentro. Me dei conta que estava na primeira Starbucks aberta na Itália – foi agora em 07 de setembro, já fez um mês de operação – , quando vi como logomarca do lado de fora uma estrela e a letra S. Apenas isso. Nada mais. Bem discreto e bem bonito. A localização exata é a Piazza Cordusio.

É impressionante. Pense em uma Starbucks de luxo com 2.300 metros quadrados, seguranças altos e sérios – porém bonitos, vendedores impecavelmente uniformizados com sorrisos largos para os clientes e boa vontade. Afinal, nem sempre encontramos esse tipo de tratamento ao cliente no país da bota (risos).

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Torrefadora gigante é uma das estrelas da Starbucks de Milão

O pé direito é enorme e faz todo sentido ao perceber que a belíssima construção abriga uma máquina de torrefação própria. O café fica pronto em 15 minutos e é levado para as máquinas em tubos aparentes que circulam no alto – presos no teto – até chegarem aos balcões.

Vale lembrar que, além desta máquina na Starbucks de Milão, só existem outras duas iguais no mundo. Uma delas fica em Seattle, na sede da companhia americana, e a outra em Xangai, na China. O cafezinho é servido a um preço de 1,80 euro – caro para alguns italianos, justo para outros. Peguei um lugar no balcão que fica bem de frente à máquina de torrefação e foi demais.

O barista Gabriel Sebastian Denes preparando café – foto Joshua Trujillo, Starbucks

Pode parecer estranho a rede-símbolo do café americano desembarcar na terra do espresso. Mas, tudo faz sentido. Explico: há 35 anos, durante uma viagem pela Itália, Howard Schultz, o homem responsável por transformar a Starbucks nesse colosso, tomou sua primeira xícara de café em Milão. E foi ali, na capital da Lombardia, que o hoje presidente emérito da gigante de Seattle inspirou-se pelo way of life italiano de ser e seu hábito de consumir café. E foi assim que ele criou o embrião do que conhecemos hoje.

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Howard Schultz, presidente emérito da Starbucks e responsável por transformar a marca em um colosso, mostra a unidade de Milão – fotos Jishua Trujillo

Porém, para estrear na Itália, ele foi obrigado a se adequar ao jeitinho italiano, mais especificamente ao milanês. Ou seja, nada de plásticos e de copos descartáveis. N-A-D-A. Tudo servido em louça minimalista e em bandejas. Só o nome – para saber qual é seu pedido – continua como regra dentro da Starbucks de Milão. Pedi um cappuccino e um muffin de chocolate, o que me custou 8 euros.

Se não tem copos de plástico, também não tem frapuccinos, cafés americanos e etc. Só cafés italianos e de origem, a exemplo do Brasileiro. Ele tem, logo de cara, um banner em metal bem evidente, incentivando a compra do pacote de 100gr por 35 euros.

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Para estrear na terra do espresso, a rede americana teve que rever seus conceitos arquitetônicos e alimentares

Um balcão enorme que induz a entrar numa fila, começa a mostrar os doces – tortas, crostatas, bolos, salada de frutas (macedônia para o idioma local), seguido de brioches, croissants e, enfim, um mundo de opções doces. Afinal de contas, o café da manhã italiano é quase obrigatoriamente, doce. Ali mesmo, atendentes gentis e simpáticos, entre eles uma brasileira de São Paulo, te atendem rapidamente a fim de não formar longas e demoradas filas.

Dei uma volta pelo espaço, que tem mini ambientes de compras como camisetas com frases sobre café ou sobre o jeito italiano de ser, clutches de couro a 200 euros, uma bicicleta retrô da marca Bianchi (uma das mais conhecidas na Itália), itens de decoração, conjuntos de xícaras, mexedores, dentre uma infinidade de produtos.

Também é um ponto de encontro, pois tem os famosos aperitivos, cervejas e drinks, com preços que vão de 9 a 20 euros, mais ou menos. Aliás, é uma bela concorrência aos bares da cidade, pois além de o ambiente ser lindo e refinado, ainda oferece wi-fi e lounges para descansar e poder se sentar tranquilamente. Como informação, pesquisei que são 149.154 bares italianos em Milão – dados da Federazione Italiana Pubblici Esercizi.

Vale a pena a visita, demorada para apreciar tudo e todos!

*Erica Rabecchi é jornalista paulistana, tem 39 anos, e mora há sete meses com o filho de 6 anos em Cesena, na Emiliga Romagna.

Um comentário em “Visitamos a Starbucks de Milão. De tirar o fôlego

  • 25 outubro, 2018 em 20:14
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    Que matéria mais linda e deliciosa de ler.

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