Dada a largada para a 7ª Settimana della Cucina Regionale Italiana

Quem visita a pequenina Barge – pelo último censo, de 2017, ela reúne exatos 7.703 habitantes -, no Piemonte, encontra um imperdível restaurante familiar. Em operação desde sua abertura, em 1996, pelo patriarca da família Picotti, o Ristorante D´La Picocarda (via Cardè 71) serve um menu de montanha e outro de frutos do mar. Isso sem se esquecer das criações que levam a iguaria mais famosa da região, que é o tartufo.

Quem ama um pescado, um camarão, um calamari, encontra no chef Andrea Picotti, de apenas 31 anos, um grande entusiasta desses ingredientes. É ele quem dirige até a vizinha Ligúria para comprar os melhores e mais frescos exemplares de peixes e frutos do mar. Já para quem não come carne, a casa também oferece surpreendentes criações como um saboroso risoto de beterraba com creme de aspargos e queijo Castelmagno – típico do Piemonte.

Risoto de beterraba com creme de aspargos e queijo piemontês Castalmagno. De Barge para São Paulo – foto Françoise Terzian

A boa notícia é que não será necessário viajar até Barge – embora esta seja uma proposta tentadora – para provar as criações do chef Andrea Picotti. Ele se encontra em São Paulo, mais especificamente no Restaurante Piselli (Rua Padre João Manuel 1253, Jardins, 11-3081-6043), até domingo (28 de outubro). É que o chef piemontês é um dos 20 representantes da 7ª Settimana della Cucina Regionale Italiana.

Para a casa de Juscelino Pereira, Picotti criou um saboroso menu em 4 tempos – 3 deles servidos no almoço, por R$ 85, ou o menu completo com os 4 pratos no jantar, por R$ 140.

PRAZERICES esteve no Piselli, na noite de ontem, para conhecer os pratos e conversar com Picotti. De entrada, ele criou duas opções – uma bonita carne crua com gema de ovo frito e gotas de queijo Raschera ou uma Carne de coelho temperada com azeite e ervas, com legumes cozidos e creme de ervilhas.

Já de primeiro prato, ele oferece um talharim fresco com molho de carnes mistas, cogumelos secos e tomates ou o famoso Risoto de beterraba com creme de aspargos e queijo Catelmagno. Comi o risoto e preciso contar que, de cara, a beleza de sua apresentação chamou atenção. Parece um jardim florido, dada sua cor e montagem. Posteriomente, surpreendeu também o fato de a criação não trazer o habitual gosto terroso da beterraba. Delicioso! “O segredo de todo bom risoto é o caldo. E neste faço um de verduras onde coloco a beterraba mergulhada para dar cor e sabor ao prato”, contou Picotti.

Na sequência, como segundo prato, uma perfumada Bochecha de vitelo ao vinho tinto com purê de batatas ao azeite ou uma Galinha d´Angola recheada com espinafre e queijo em crosta de avelãs, com legumes da horta.

Para encerrar, a sobremesa. Dentre as duas escolhas, uma tortinha de chocolate com avelãs, com coração macio que lembra um petit gateau, e creme de ovos ao moscatel. Ou um bolo gelado de vinho doce com cerejas carameladas. Experimentei os dois. O primeiro é para os amantes de chocolate. O segundo, para quem gosta de criações mais doces e com frutas vermelhas.

20 CHEFS, 160 PRATOS

Andrea Picotti é um dos 20 chefs italianos que trazem para São Paulo as particularidades gastronômicas das diferentes regiões do país da bota. Enquanto você lê esse texto, os cozinheiros provenientes do outro lado do Atlântico dominam as caçarolas de 20 respeitáveis restaurantes italianos da capital paulista. É que até domingo (de 22 a 28 de outubro), a capital paulista sedia a 7ª Settimana della Cucina Regionale Italiana.

Composição de pescados, frutos do mar e verduras em molho verde da Osteria del Pettirosso – foto Johnny Mazzili

Durante uma semana, esses autênticos cozinheiros italianos participantes da 7ª Settimana Italiana serão os protagonistas deste intercâmbio cultural e gastronômico que resultou em menus exclusivos – três etapas no almoço e quatro no jantar. Em cada casa participante, o chef italiano propôs pratos que respeitam a tradição gastronômica da respectiva região, seguindo o ritual nas mesas de seu país, com entrada (antipasto), massas ou risotos (primo piatto), carnes ou peixes (secondo piatto) e sobremesa (dolce).

Ao todo, a 7ª Settimana Italiana traz 160 receitas elaboradas com os melhores produtos italianos, entre queijos, embutidos e azeites. Devidamente combinados com legumes, verduras e frutas selecionados, além de carnes e pescados de todas as origens.

Settimana Italiana
Tagliata de tonno, um dos pratos do menu do Maremonti durante a 7ª Settimana Italiana – foto Johnny Mazilli

O evento foi idealizado pela Accademia Italiana della Cucina e pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. É promovido pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo, em conjunto com a ITA – Italian Trade Agency -, e conta com o apoio de diversas instituições e empresas italianas de alimentos e bebidas.

A beleza da semana italiana é que os brasileiros passam a ter proximidade com pratos raramente presentes em seu dia a dia ou nos restaurantes italianos da cidade. Como bem lembra Fillippo La Rosa, cônsul da Itália em São Paulo e nascido nas proximidades de Roma, sua terra é conhecida mundialmente pelas massas à carbonara e também matriciana. Mas, esses são apenas alguns dos pratos consumidos pelos romanos. Às quintas, conta ele, é dia de comer trippa alla romana, cozida com cebolinha e tomatinho e marinada no vinagre. Uma delícia, garante o cônsul.

“A enogastronomia é um dos elementos que melhor caracterizam a identidade cultural italiana. É o resultado de séculos de tradição na produção de ingredientes e na criação de aromas e sabores, que começam com procedimentos artesanais inventados e aperfeiçoados pelos antigos romanos e chegam aos dias de hoje por meio da capacidade inventiva de milhões de famílias italianas”, resume La Rosa.

CHEFS CONVIDADOS

A divisão de restaurantes e regiões é determinada por sorteio, o que fortalece o intercâmbio entre os profissionais e também inspira os pratos que passam a fazer parte do cardápio de cada casa.
O convite aos chefs italianos começa por aqueles que estiveram presentes em edições anteriores.

Do time de 2018, sete estão novamente em São Paulo: Paolo Bertholier (Valle d´Aosta) que desta vez está no Buttina; Maurizio Morini (Emilia-Romagna) no Due Cuochi; Achille Pinna (Sardegna) no Maremonti, Andrea Picotti (Piemonte) no Piselli; Barbara Settembri (Marche) no Spadaccino; Pinuccia Di Nardo (Sicilia) no Supra; Massimo Talia (Molise) na Trattoria Fasano.

Entre os que participam pela primeira vez, estão nomes da nova geração como Alessio Marrangoni (Abruzzo) no Attimo Per Quattro; Claudio Rocchi (Lazio) na Casa Santo Antônio; Massimiliano Mandozzi (Lombardia) no Friccò; Paolo Masieri (Liguria) na Osteria del Pettirosso; Angelo Fiorisi (Basilicata) no Pasquale; Duccio Pistolesi (Toscana) no Picchi; Gaetano Morese (Campania) no Ristorantino; Manuel Marchetti (Friuli-Venezia Giulia) no Santo Colomba; Antonio Bufi (Puglia) no Sensi; Mara Zanetti Martin (Veneto) para o Terraço Itália; Luca Abbruzzino (Calabria) no Tre Bicchieri; Mario Di Nuzzo (Trentino-Alto Adige) no Vinarium; Andrea Fugnanesi (Umbria) na Vinheria Percussi.

Para conhecer os cardápios completos, acesse aqui.

DESDE 2012…

Com caráter pioneiro, a Settimana della Cucina Regionale Italiana foi lançada oficialmente no Brasil em 2012, com 12 restaurantes representando 12 regiões italianas. O sucesso alcançado pelo evento fez com que o Ministério Italiano de Relações Exteriores o levasse para todos os países no qual a Itália possui representação diplomática, com a particularidade que a Settimana de São Paulo é a única que conta com a participação de um chef de cada região.

O momento para a realização da 7a Settimana della Cucina Regionale Italiana não poderia ser melhor, já que 2018 foi considerado o Anno del Cibo Italiano, ou seja, o ano do modo italiano de se alimentar, graças a uma iniciativa do Ministério Italiano das Políticas Agrícolas Alimentares, Florestais e do Turismo e do Ministério Italiano para os Bens e as Atividades Culturais.

 

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