Ariel Kogan, o argentino defensor do vinho orgânico

Ariel Kogan, engenheiro argentino que vive há 10 anos no Brasil, é um grande defensor do vinho produzido por pequenos produtores. Sua paixão é pelo artesanal, pelos pequenos detalhes impressos em cada garrafa e pelo cuidado com a natureza. Não por acaso, tem cada dia mais, voltado seus olhos para o vinho orgânico. Seu interesse no tema é tão grande que, além de importar e distribuir exclusivamente rótulos da região de Mendoza, na Argentina, ele começou a produzir, em 2014, o próprio vinho.

Batizado de Regeneración, ele é produzido em volume limitadíssimo em um terreno alugado da Bodega Oralia, uma vinícola pequena localizada em El Peral, no Valle de Tupungato, em Mendoza. Para se ter uma ideia, a primeira safra rendeu 1.000 garrafas. Na segunda, em 2016, foram produzidas 4 mil garrafas- sendo que 3,5 mil foram trazidas para o Brasil. O vinho tinto, vale contar, é 100% orgânico e feito unicamente de uva Bonarda.

Dada sua produção limitada, hoje o vinho Regeneración não vai para o varejo. Ele está presente na carta de vinho de alguns restaurantes e bares de São Paulo como o Astor, Trattoria (Shopping Cidade Jardim), Esther Rooftop e Arturito.

A garrafa carrega consigo um diferencial bacana. Parte de sua venda é revertida para a Fundação Tikun, que trabalha para regenerar a biodiversidade das províncias de Mendoza e San Juan, por meio do reflorestamento de espécies nativas de algarrobos, que foram desmatadas da região.

Ariel Kogan, no Esther Rooftop, em SP, um dos restaurantes que vendem seu vinho orgânico

Para gerar menor impacto ambiental e proporcionar mais segurança ao consumidor (uma vez que a uva usada em sua produção não carrega resquícios de pesticidas), Ariel Kogan vem trabalhando em torno de políticas e práticas de desenvolvimento sustentável.

“Especialistas alertam que não temos mais tempo apenas para construir um modelo de desenvolvimento sustentável para a humanidade. Precisamos com urgência da regeneração dos ecossistemas e serviços ambientais que destruímos”. diz Kogan.

Os vinhos orgânicos, explica, têm um sistema de produção de base ecológica, com o uso de boas práticas agrícolas para manutenção e melhoria da fertilidade do solo.

VARIETAL: BONARDA

Regeneración, produzido pela família Kogan, em Mendoza

O varietal escolhido para o vinho Regeneración foi o Bonarda, que é a segunda uva mais produzida na Argentina depois de Malbec. Bonarda, explica Kogan, imprime na bebida aromas frutados, frescor, maciez e uma boa acidez. Como a produção realizada somente com uva Bonarda é muito rara, esta característica revela-se um importante diferencial do Regeneración.

VINHO SUSTENTÁVEL

Harmonização feita com o Regeneración

A cada garrafa vendida, a marca reverte 50 centavos de dólar diretamente para a Fundação Tikun, que já reflorestou mais de 28 hectares com árvores nativas na região de Mendoza. São mais de 6 mil plantas em viveiro – o equivalente a 400 mudas por hectare.

Para que não haja desconfiança do processo de reflorestamento, a linha conta com um sistema online que mostra ao vivo o plantio e crescimento das áreas reflorestadas.

VINHO BRASILEIRO 
O argentino é um defensor voraz do vinho brasileiro que, segundo ele, deu importantes saltos de qualidade. Focado na produção artesanal, hoje ele trabalha com a Vinícola Guatambu, que produz vinhos especiais no Pampa Gaúcho, em Dom Pedrito. Conhecida como “vinícola boutique”, ela chama atenção não só pela bebida, mas também por possuir um parque solar com 600 painéis fotovoltaicos, que supre 100% da demanda de energia. Ela é, provavelmente, a única vinícola da América Latina a trabalhar com energia renovável.

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